sábado, 8 de março de 2014

Memórias de um sargento de milícias, Manuel Antônio de Almeida, 1854-1855

ARTE. Embora pareça ter sido lançado a princípio mais próximo à seara do divertimento e da sátira social, o romance é, sobremodo depois da leitura de Antonio Candido em "Dialética da malandragem", uma das pedras de toque para pensar a cultura nacional. Mais estruturado do que como o lê a maioria dos leitores, como também extremamente divertido, vencidas as dificuldades da linguagem, trata-se de uma leitura obrigatória da nossa literatura.


Fala, amendoeira, Carlos Drummond de Andrade, 1957

ARTE. Primeiro livro de crônicas do maior poeta brasileiro do século XX, é de leitura deliciosa e ao mesmo tempo dá vida aos entraves e delícias da vida no Rio de Janeiro dos anos 50. Como esperado, temos ainda a sensibilidade poética de Drummond agindo no olhar e na palavra. Livro imperdível para quem gosta de boas leituras!


domingo, 2 de março de 2014

Linha de Passe, Walter Salles & Daniela Thomas, 2012

ARTE. De maneira muito sensível, o filme representa a história de uma família da periferia paulistana. A maneira como as história se entrelaçam e a agudeza com que os diretores escolheram as temáticas, os ângulos e o desenvolvimento do enredo fazem deste filme uma produção muito acima da média do cinema nacional. Nota importante para a atuação consistente de todos e para o desfecho inteligente e impactante.


12 anos de escravidão (12 years, a slave), Steve McQueen, 2013

ARTE. O filme é muito bem filmado, ótimos atores, boa história e não permite a catarse fácil do público meio preparado, meio culpado (ao não reduzir à questão a oposições simplórias), ao menos até a última cena. O retorno choroso à família, o neto com o nome do vô, o abraço conjunto e a frase final quase me levaram a pensar que é pensar que é um filme meio cretino. Frase final: "there is nothing to forgive". Vale assistir para se ver como um filme excelente pode ser estragado na última cena.