ARTE. Um álbum de música muito agudo, inteligente e representativo de algumas tensões importantes doa atual cenário brasileiro. Certamente vale a audição para conferir como o grupo se desenvolveu esteticamente para conseguir uma sonoridade bastante rica, com letras que ampliaram seu alcance e sofisticaram-se poeticamente. Desenvolvi melhor as reflexões no caderno Cultura da Zero Hora - republicadas neste blog. Vale cada segundo de seu tempo a audição deste álbum!
A proposta deste blog é relativamente simples: responder à pergunta do título com o intuito de eventualmente atalhar o caminho do espectador (filme), leitor (livro) ou ouvinte (CD). Os comentários a fim de multiplicar as impressões são muito bem-vindos e a divisão um tanto ríspida "ARTE"/"ENTRETENIMENTO" relaciona-se a uma expectativa de recepção e não à qualidade em si das obras comentadas.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
2 dias em Nova Iork (2 days in New York), Julie Delpy, 2012
ENTRETENIMENTO. É sempre bom ver a charmosa Julie Delpy atuando. Também vale a pena Chris Rock, quando o roteiro é consistente. É quase isso o que encontramos neste filme. Oscilam algumas cenas bastante engraçadas, sobretudo nas aclimatações ou não aclimatações da família francesa em Nova Iorque, com algumas cenas mais insossas, e até desnecessárias. Não se sai ludibriado nem recompensado do filme.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Janela da alma, João Jardim & Walter Carvalho, 2001
ARTE. Um bom documentário a respeito de como entendemos o mundo a partir da visão. Alguns dos entrevistados dizem coisas valiosíssimas sobre a importância da visão, a existência das diferentes visões, os preconceitos contra aqueles que sofrem de algum tipo de desvio da visão etc. Entre o físico, o metafísico e o filosófico o documentário se coloca e nutre-se de uma variada gama de reflexões. Vale atenção!
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Melhores coisas (Better things), Duane Hopkins, 2008
ARTE. Um filme impressionante sobre as parcas possibilidades da população pobre em um país de "primeiro mundo". Permeado pelas drogas, a heroína principalmente - um dos motes do filme é a morte por overdose de uma jovem -, adolescentes e idosos interagem num ambiente de marasmo e mais imagens do que linguagem. O tom azul da fotografia ajuda a construir o cenário oprimido e da busca acuada de saídas. Vale conferir.
Brejo das almas, Carlos Drummond de Andrade, 1934
ARTE. Segundo livro do maior poeta brasileiro de todos os tempos - não por preferência pessoal, mas por fato -, impressiona pela qualidade e por já trazer alguns traços que vão construir ao menos a primeira parte da poética de Drummond. Com poemas clássicos como "Soneto da perdida esperança", "Carlos, não se mate" e "Hino nacional", vale completamente a leitura - o que não significa dizer que contenha somente poemas irretocáveis. Um bom exemplo da poesia como a luta pela expressão perene.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Philomena, Stephen Frears, 2013
ARTE. Dentre os filmes que concorrem ao Oscar deste ano, é certamente o que trabalha com o maior grau de sutileza. Na história da mãe que sai em busca de seu filho depois de cinquenta anos, com a ajuda de um jornalista atribulado por um recente infortúnio, nada toma o caminho fácil e muito poucas respostas são dadas conforme gostaríamos. Nota para a atuação muito inteligente de Judi Dench e para a forma peculiar com que é construída a relação entre a mãe e o repórter.
G. I. Joe: Retaliação (G. I. Joe: Retaliation), Jon M. Chu, 2013
ENTRETENIMENTO. Para além do fato de que esses brinquedinhos simbolizam a capacidade (talvez caduca) de os EUA ter domínio militar sobre todo o território global, o filme é um lixo. O enredo alterna lacunas e clichés, as atuações são canastronas e os efeitos não valem seu tempo. Eis um exemplo do quanto parte do cinema voltou a ser simples demonstração de tecnologia e entretenimento pueril - nos termos de Ismail Xavier. (Não consegui assistir mais do que quinze minutos).
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Trapaça (American Hustle), David O. Russell, 2013
ENTRETENIMENTO-ARTE. Um interessante thriller em que acompanhamos, não linearmente, a história de um casal de trambiqueiros e suas relações concomitantes com a polícia e com o mundo do crime. Boas atuações - Christian Bale, Amy Adams e Jennifer Lawrence, sobretudo - e uma ambientação crível dos anos 70 são dois de seus acertos. O desfecho um tanto decepcionante, sua falha mais aparente. Vale ver, mas não vale rever.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Jogo de Cena, Eduardo Coutinho, 2007
ARTE. Dois espelhos em paralelo. É isso que o diretor Eduardo Coutinho conseguiu neste documentário. A proposto foi colocar mulheres para dizerem suas histórias num teatro vazio. Em seguida, convidou algumas atrizes para declamar o texto. O jogo formado entre ficção e realidade, entre crer e não crer, o imperativo da criação cotidiano de história; tudo isso está ali, com sensibilidade. Não estragarei as surpresas do espectador, mas é, sem dúvida, um dos melhores documentários já feitos.
A menina que roubava livros (The Book Thief), Brian Percival, 2013
ARTE. É impressionante como já se é possível cosmetizar uma das maiores fissuras da cultura moderna, que foi o nazismo. Do tratamento de imagem ao roteiro - que derruba bons atores como Geofrey Rush e Emily Watson -, todo o filme parece ser feito para espectadores ansiosos por uma catarse qualquer, por um momento de beleza qualquer. A cena em que um menino de doze anos morre no meio de um "eu te amo" para a protagonista arrancou um "ridículo!" meu, que sou normalmente quieto. Não li o livro, mas o filme não vale o teu tempo!
Breaking Bad, Vince Gilligan, 2008
ENTRETENIMENTO. Uma das melhores séries já feita, conta a história de um professor de química com câncer terminal que resolve "chutar o balde" e cozinhar anfetamina para pagar seu tratamento e deixar sua família em condição segura antes de morrer. Ótimas atuações, como a Bryan Cranston, e ousadias formais fazem com que valha a pena acompanhar os cinco anos da série.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia (Bring me the head of Alfredo Garcia), Sam Peckinpah, 1974
ARTE. Talvez aqui a classificação entre arte e entretenimento oscile bastante. Considerado um filme cult, alguns fatores contribuem para isso: a aparência enganosa de filme rústico, a ambientação western anos 70, a atuação convincente de Warren Oats e o mote insólito - levar a cabeça de homem para uma quadrilha a fim de receber uma recompensa por isso. Vale cada segundo do tempo gasto e não à toa recebe muitas referências em filmes de diretores interessantes, como Tarantino.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
O jogo da amrelinha (Rayuela), Julio Cortázar, 1963
ARTE. Romance paradigmático de Julio Cortázar, tem por protagonista um jovem portenho no ambiente intelectual de Paris, na primeira parte, e de volta a Buenos Aires, na segunda. Bastante ousado formalmente, a maior ousadia é decerto a possibilidade de duas leituras, que esconde a possibilidade de infinitas leituras, subvertendo a ordem linear da forma romanesca. Cinquenta anos depois, e com o passar da juventude, talvez seja um romance que sofra um pouco de sua juvenilidade, mas segue valendo a leitura.
O poderoso chefão (The Godfather), Francis Ford Coppola, 1972
ARTE. Um dos maiores filmes da história, é ponto certo na memória cinematográfica de todo apaixonado pela sétima arte. Algumas expressões e frases permanecem para a vida, como: "ou tua assinatura ou teu cérebro estarão no contrato", "uma proposta irrecusável" ou "pediu, mas não me pediu com respeito". Trilha sonora esplêndida, duas ou três atuações irretocáveis, sequências e enquadramentos geniais, enfim, uma obra-prima!
Invocação do Mal (The conjuring), James Wan, 2013
ENTRETENIMENTO. Para quem gosta do gênero, eis um filme de terror que vale a pena ser visto por adultos, sem constrangimento. Seja pela história bem amarrada (decalcada em "fatos reais"), seja pela atuação dos atores - especialmente Lili Taylor -, o filme é capaz de provocar medo, mesmo nos corações mais intrépidos. E depois, talvez, aquele medo de deixar a porta entreaberta e não caber inteiro no colchão.
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