ARTE. O filme mostra com bastante crueza o começo do processo da resistência irlandesa à invasão britânica, movimento que hoje parece apaziguado, mas há até bem pouco tempo ecoava nas ações do IRA. Notas para as necessárias refrações de um movimento revolucionário após conseguir o que gostaria, para a atuação de Cilian Murphy (que parece outro ator, longe das películas de Holywood) e para a possibilidade de representar a violência sem exotismo nem silenciamentos.
A proposta deste blog é relativamente simples: responder à pergunta do título com o intuito de eventualmente atalhar o caminho do espectador (filme), leitor (livro) ou ouvinte (CD). Os comentários a fim de multiplicar as impressões são muito bem-vindos e a divisão um tanto ríspida "ARTE"/"ENTRETENIMENTO" relaciona-se a uma expectativa de recepção e não à qualidade em si das obras comentadas.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Jards Macalé, um morcego na porta principal, Marco Abujamra & João Pimentel, 2008
ARTE. Até onde conheço, o único documentário sobre uma das figuras mais peculiares da canção brasileira. Não formalmente muito bem resolvido, mas apresenta bem a complexidade da figura do compositor, bem como remonta com interesse o panorama dos anos 60 e 70 no quadro da cultura brasileira. Pra quem gosta do artista ou de canção, vale cada segundo do seu tempo.
Só dez por cento é mentira, de Pedro Cezar, 2008
ARTE. Se as perguntas do diretor ao poeta desanimam um pouco pela obviedade ou superficialidade, valem a façanha de conseguir entrevistar Manoel de Barros sem ser por escritos, os vários depoimentos e impressões que surgem no documentário e os causos e particularidades da vida de um dos maiores poetas brasileiros vivos. Poesia e inteligência por mais de setenta minutos.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
A vida submarina, Ana Martins Marques, 2009
ARTE. Este é o primeiro livro de poemas da mais ou de uma das mais talentosas poetas de sua geração. Não tem aqui a sofisticação sintética do livro seguinte, Da arte das armadilhas (2012), mas já retribui com generosidade aos esforços do leitor para compreender as metáforas por meio de uma técnica de dar inveja em poetas de uma estrada mais longa. Poeta consistente desde a estreia, é muito provável que se constitua um dos nomes da poesia deste começo de século.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
O lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street), Martin Scorcese, 2013
ARTE. Há pelos menos dois traços de gênio neste filme de Scorcese. O primeiro, costumeiro para quem acompanha o diretor, é o ritmo excepcional impresso na "película". Neste caso, vem a calhar para representar a vida do escol milionário, que simplesmente passa por cima dos demais, com seus vícios e prazeres. A segunda genialidade, a forma com que o diretor é capaz de provocar comoção quanto ao destino do calhorda Jordan Belfort, representado talentosamente por Leonardo di Caprio. Filme obrigatório para quem gosta de cinema!
Anna Karenina (Anna Karenina), Joe Wright, 2012
ARTE. Embora seja normalmente malquisto analisar um filme pelo livro em que é baseado, o expectador encontrará aqui, no mínimo, as grandes frases, cenas e personagens de Tolstoi. Mais do que isso, houve escolha de uma estética bastante particular que ambienta o enredo, ora mais, ora menos, no que parece um enorme palco de teatro. Se eventualmente confere à Rússia uma natureza exótica não tão feliz, também reveste todo o filme de grande beleza visual.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Agentes do além (RIPD), Robert Schwentke, 2013
ENTRETENIMENTO. Não se deixe enganar pela presença do intermitente Jeff Bridges, ou pelos efeitos especiais que parecem um tanto bacanas no trailer do filme, RIPD são duas horas de sua vida jogadas quase completamente na lata de lixo. Salvo uma risada aqui e outra ali, o roteiro é bastante fraco, e mesmo as cenas de ação que poderiam valer pela adrenalina decepcionam com falta de timing ou visual pouco verossímil. Corra deste filme do além!
sábado, 25 de janeiro de 2014
Em nome da raça e da ciência, Estrasburgo 1941-1944 (In the name of race and of science, Strasburg, 1941-1944), Sonia Rolley, Axël Ramonet & Tancrède Ramonet, 2013
ARTE. Documentário inescapável para quem quer saber mais do que os chavões normalmente divulgados sobre o holocausto nazista. Trata-se da história do Dr. Hirt, anatomista e membro da SS responsável pelo assassinato de quase uma centena de judeus para colecionar partes de corpos. O filme também traça muito bem a intimidade de ciência e política no quadro do nacional-socialismo.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Amor em Middleton (Middleton), Adam Rodgers, 2013
ENTRETENIMENTO. Pra quem gosta de comédias românticas, talvez valha a pena acompanhar alguns dos motes de sempre, mas deslocados para pais de calouros universitários, interpretados por Andy Garcia e pela bela Vera Farmiga. A madureza dos protagonistas gera algumas questões interessantes, mas às vezes o filme de desenvolve estereotipadamente. Palmas especiais para a cena da aula de teatro, para algumas falas ao longo do filme, para a referência a Os guarda-chuvas do amor e para o desfecho não facilitado.
Ninfomaníaca, volume I (Nymphomaniac, vol. I), Lars von Trier, 2013
ARTE. Filme de um dos diretores mais interessantes cineastas de sua geração, Lars von Trier parece sempre buscar as questões profundas, os temas de cerne, em suas obras, com mais ou menos acerto. Neste longa, que conta com boas atuações de Uma Thurman, Stace Martin e ótima atuação de Charlotte Gainsbourg e Stellan Skarsgard, o diretor discute a possibilidade de constituição de uma moralidade quando se trata da sexualidade humana e acaba por estremecer pilares civilizacionais importantes. Não adianta exigir do filme uma linha condutora realista, mas sua estética grave e peculiar vale cada minuto. Imperdível para quem gosta de bom cinema.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Veludo azul (Blue velvet), David Lynch, 1986
ARTE. Não, não perde seu tempo. Neste filme já vemos algumas características que estarão presentes em Cidade dos Sonhos (2001) e que projetarão o diretor como um nome importante do cinema de arte. Uma fotografia de estranhamento, diálogos agudos, uma ótima trilha sonora e as atuações marcantes de Dennis Hopper e Dean Stockwell valem as duas horas de filme. Atenção para o jogo de espelhamentos construídos pela trama e a ambiência noir muito bem construída pelo diretor.
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