domingo, 9 de fevereiro de 2014

Jogo de Cena, Eduardo Coutinho, 2007

ARTE. Dois espelhos em paralelo. É isso que o diretor Eduardo Coutinho conseguiu neste documentário. A proposto foi colocar mulheres para dizerem suas histórias num teatro vazio. Em seguida, convidou algumas atrizes para declamar o texto. O jogo formado entre ficção e realidade, entre crer e não crer, o imperativo da criação cotidiano de história; tudo isso está ali, com sensibilidade. Não estragarei as surpresas do espectador, mas é, sem dúvida, um dos melhores documentários já feitos.


A menina que roubava livros (The Book Thief), Brian Percival, 2013

ARTE. É impressionante como já se é possível cosmetizar uma das maiores fissuras da cultura moderna, que foi o nazismo. Do tratamento de imagem ao roteiro - que derruba bons atores como Geofrey Rush e Emily Watson -, todo o filme parece ser feito para espectadores ansiosos por uma catarse qualquer, por um momento de beleza qualquer. A cena em que um menino de doze anos morre no meio de um "eu te amo" para a protagonista arrancou um "ridículo!" meu, que sou normalmente quieto. Não li o livro, mas o filme não vale o teu tempo!


Breaking Bad, Vince Gilligan, 2008

ENTRETENIMENTO. Uma das melhores séries já feita, conta a história de um professor de química com câncer terminal que resolve "chutar o balde" e cozinhar anfetamina para pagar seu tratamento e deixar sua família em condição segura antes de morrer. Ótimas atuações, como a Bryan Cranston, e ousadias formais fazem com que valha a pena acompanhar os cinco anos da série.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia (Bring me the head of Alfredo Garcia), Sam Peckinpah, 1974

ARTE. Talvez aqui a classificação entre arte e entretenimento oscile bastante. Considerado um filme cult, alguns fatores contribuem para isso: a aparência enganosa de filme rústico, a ambientação western anos 70, a atuação convincente de Warren Oats e o mote insólito - levar a cabeça de homem para uma quadrilha a fim de receber uma recompensa por isso. Vale cada segundo do tempo gasto e não à toa recebe muitas referências em filmes de diretores interessantes, como Tarantino.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

O jogo da amrelinha (Rayuela), Julio Cortázar, 1963

ARTE. Romance paradigmático de Julio Cortázar, tem por protagonista um jovem portenho no ambiente intelectual de Paris, na primeira parte, e de volta a Buenos Aires, na segunda. Bastante ousado formalmente, a maior ousadia é decerto a possibilidade de duas leituras, que esconde a possibilidade de infinitas leituras, subvertendo a ordem linear da forma romanesca. Cinquenta anos depois, e com o passar da juventude, talvez seja um romance que sofra um pouco de sua juvenilidade, mas segue valendo a leitura.


O poderoso chefão (The Godfather), Francis Ford Coppola, 1972

ARTE. Um dos maiores filmes da história, é ponto certo na memória cinematográfica de todo apaixonado pela sétima arte. Algumas expressões e frases permanecem para a vida, como: "ou tua assinatura ou teu cérebro estarão no contrato", "uma proposta irrecusável" ou "pediu, mas não me pediu com respeito". Trilha sonora esplêndida, duas ou três atuações irretocáveis, sequências e enquadramentos geniais, enfim, uma obra-prima!


Invocação do Mal (The conjuring), James Wan, 2013

ENTRETENIMENTO. Para quem gosta do gênero, eis um filme de terror que vale a pena ser visto por adultos, sem constrangimento. Seja pela história bem amarrada (decalcada em "fatos reais"), seja pela atuação dos atores - especialmente Lili Taylor -, o filme é capaz de provocar medo, mesmo nos corações mais intrépidos. E depois, talvez, aquele medo de deixar a porta entreaberta e não caber inteiro no colchão.